SÃO PAULO - Januário Alves de Santana , que foi confundido com um ladrão e agredido, vai processar o Carrefour e o Estado por racismo. Ele contou que foi espancado por cinco seguranças enquanto esperava a família fazer compras , ao lado de seu carro, um EcoSport, em uma loja do supermercado em Osasco, na Grande São Paulo. A sessão de tortura teria durado de 20 a 30 minutos. Ele também acusa um policial militar de tê-lo humilhado. Em nota, o Carrefour diz que repudia, veementemente, qualquer atitude de violência e afirma que vai colaborar nas investigações para identificar os responsáveis. Um dos seguranças, que é funcionário de uma empresa terceirizada, já foi afastado do cargo.
A agressão aconteceu duas semanas atrás, no dia 7 de agosto. Santana estava ao lado do carro cuidando da filha de 2 anos, que dormia no banco de trás. Segundo ele, logo após o alarme de um carro que estava no estacionamento disparar, um homem armado e sem uniforme se aproximou para tentar prendê-lo , já que pendou que Santana estava roubando o carro. Os dois lutaram até que outros seguranças apareceram. Santana tentou desfazer o mal entendido, mas disse que foi levado para um sala e espancado. Ele levou socos na boca e teve o maxilar afetado. Ele disse que as agressões só pararam quando um policial militar, de sobrenome Pina, chegou. Mesmo assim, ele continuou sendo humilhado.
- Você tem cara de que tem passagem pela polícia. Conta para nós. No mínimo, umas três passagens você tem. A sua cara não nega 'negão' - teria afirmado o policial, tentando conseguir uma confissão.
Enquanto era espancado, sua mulher, em companhia de um filho de cinco anos, a irmã e um cunhado faziam compras sem saber o que ocorria. Santana, que é baiano e mora em São Paulo há 10 anos, trabalha há oito anos como segurança da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP). Sua mulher, Maria dos Remédios do Nascimento Santana, de 41 anos, também é funcionária da universidade, onde presta serviços como auxiliar do Museu de Arte Contemporânea.
Ele comprou o EcoSport há dois anos em 72 parcelas de R$ 789,00, e vem pagando as prestações regularmente. Segundo o seu advogado, Dojival Alves, Santana já foi abordado outras vezes, sob a suspeita de que o veículo não lhe pertenceria.
- Existe um vírus perigoso, chamado racismo, que precisa ser extirpado da sociedade brasileira. Os negros no Brasil passam diariamente por isso. Muitas vezes, não denunciam por medo. Santana sofreu um crime bárbaro. Ele era levantado por um segurança pelo pescoço enquanto os outros davam socos e coronhadas nele - disse o advogado.
O caso foi registrado no 5º Distrito Policial de Osasco, mas o inquérito será conduzido pela 9ª Delegacia da cidade. Santana prestará depoimento na próxima terça-feira, dia 25, às 15 horas. Ele disse que tem condições de reconhecer os agressores. O advogado disse que os responsáveis devem responder por lesão corporal, cárcere privado e tentativa de homicídio, além de racismo.
E que a justiça seja muito bem feita!
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